Opções ou futuros: outro tipo de proteção de preço

Um hedge com futuros trava um preço - tanto a proteção quanto o custo de perder um preço melhor. Uma opção funciona de outra forma: ela é um direito, e não uma obrigação, e essa diferença muda o tipo de proteção que ela de fato compra.

O que é, de fato, uma opção

Uma opção de venda (put) dá ao comprador o direito, mas não a obrigação, de vender um contrato futuro a um preço fixo (o preço de exercício) antes do vencimento da opção. Um produtor preocupado com a queda dos preços pode comprar uma put em vez de vender diretamente um contrato futuro. Se os preços caírem abaixo do preço de exercício, a put compensa, cobrindo a perda na safra física. Se os preços subirem, o produtor simplesmente deixa a opção vencer sem valor e vende a safra ao preço de mercado mais alto - algo que um hedge com futuros não permite, já que uma posição em futuros perde dinheiro centavo por centavo à medida que os preços passam do nível protegido.

O preço dessa flexibilidade: o prêmio

Essa proteção de um lado só não é de graça. O comprador paga um prêmio antecipado, quer a opção compense ou não - assim como o prêmio de um seguro é pago haja ou não sinistro. Uma put com preço de exercício próximo do preço de mercado atual custa mais que uma com preço de exercício bem abaixo, porque tem mais chance de compensar; uma opção longe do dinheiro é mais barata, mas só protege contra uma queda maior. Essa é a troca fundamental: um hedge com futuros não custa nada antecipado, mas limita tanto a queda quanto a alta, enquanto uma opção custa dinheiro antecipado, mas limita apenas a queda.

Um exemplo prático

Suponha que os futuros de milho para julho estejam em US$ 4,50/bu em março. Um produtor compra uma opção de venda com preço de exercício de US$ 4,50 por um prêmio de US$ 0,20/bu. Em julho, duas coisas podem acontecer: se o milho caiu para US$ 3,80, a put vale cerca de US$ 0,70 (US$ 4,50 menos US$ 3,80), então, descontado o prêmio de US$ 0,20, o produtor ganha US$ 0,50/bu a mais do que vendendo ao preço de mercado - um piso real para o valor da safra. Se o milho subiu para US$ 5,20, a put vence sem valor, o produtor perde o prêmio de US$ 0,20, mas vende a safra física pelos US$ 5,20 cheios - aproveitando a alta de que um hedge com futuros teria aberto mão por completo.

Por que não usar sempre opções

Se as opções protegem só contra a queda e mantêm a alta, por que nem todo mundo as usa no lugar dos futuros? O prêmio é a resposta - ao longo de muitos anos, o custo médio dos prêmios pagos costuma se aproximar do valor médio da proteção recebida, assim como o seguro é precificado para, em média, dar lucro à seguradora. As opções devem ser vistas como uma ferramenta para uma situação específica - querer um preço mínimo sem abrir mão da chance de preços mais altos -, e não como uma versão estritamente melhor do hedge com futuros, que continua mais barato para quem simplesmente quer certeza de preço.

Preços atuais do tema