O mar Negro: como Rússia e Ucrânia influenciam os preços mundiais dos grãos
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As terras agrícolas ao norte do mar Negro, no sul da Rússia e na Ucrânia, tornaram-se uma das fontes mais importantes de grãos e óleo vegetal do mundo. As colheitas, os portos e a política de exportação dos dois governos movem preços muito além da região, do pão no Egito à ração na Ásia.
Sua fatia das exportações mundiais
Em 2024 a Rússia foi a maior exportadora mundial de trigo, com 16% das exportações, e a Ucrânia ficou em quarto com 10%; juntas, cerca de um quarto (FAOSTAT). Só a Ucrânia respondeu por 15% das exportações mundiais de milho, e os dois países forneceram quase 60% das exportações mundiais de óleo de girassol - sobretudo como óleo, e não como semente, que processam internamente. Os grãos vão principalmente para importadores do Mediterrâneo, do Oriente Médio, do Norte da África e da Ásia.
Guerra e rotas marítimas
A invasão russa de fevereiro de 2022 fechou os portos ucranianos e os preços dispararam. Pela Iniciativa de Grãos do Mar Negro, mediada pela ONU e pela Turquia, a Ucrânia embarcou 32,9 milhões de toneladas de produtos agrícolas até a Rússia encerrar o acordo em 17 de julho de 2023. Desde agosto de 2023 a Ucrânia opera seu próprio corredor marítimo ao longo das costas ucraniana, romena e búlgara, além de exportar pelos portos do Danúbio e por trem e caminhão para a UE. Esses fluxos terrestres extras levaram Polônia, Hungria e Eslováquia a restringir em 2023 as importações de grãos ucranianos para proteger seus produtores. O risco da guerra ainda aparece nos custos de frete e seguro, que ampliam a diferença entre os preços do mar Negro e os mundiais.
Taxas e cotas de exportação da Rússia
Desde junho de 2021 a Rússia cobra sobre trigo, milho e cevada uma taxa de exportação variável que sobe com os preços mundiais, e fixa uma cota de exportação para a segunda metade de cada safra, criada pela primeira vez para 15 de fevereiro a 30 de junho de 2021. As duas medidas mantêm o grão russo mais barato no mercado interno do que no mundial: bom para moinhos e pecuaristas russos, menos para os produtores de grãos, alguns dos quais reduziram o plantio de trigo. Mudanças na taxa ou na cota podem mover os preços mundiais em poucos dias, como explica Política comercial e tarifas.
O que acompanhar
O clima de verão na estepe do sul da Rússia e da Ucrânia, onde calor e seca derrubaram a produtividade em 2024; o tamanho da cota e da taxa russas; ataques a portos e navios; e as tarifas de frete e seguro. Como a safra da região chega ao mercado logo após a colheita, a partir de julho, as notícias do mar Negro costumam ditar o tom dos preços mundiais dos grãos no segundo semestre.
Preços atuais do tema
Perguntas frequentes
- Por que as safras da Rússia e da Ucrânia importam tanto?
- Porque juntas forneceram em 2024 cerca de um quarto das exportações mundiais de trigo e quase 60% das de óleo de girassol (FAOSTAT); uma safra fraca ou um porto bloqueado tira dos importadores grande parte da oferta.
- O que foi a Iniciativa de Grãos do Mar Negro?
- Um acordo mediado pela ONU e pela Turquia em julho de 2022 que permitiu à Ucrânia exportar grãos pelos portos do mar Negro durante a guerra; 32,9 milhões de toneladas foram exportadas antes de a Rússia encerrá-lo em 17 de julho de 2023.
- Por que a Rússia taxa suas próprias exportações de grãos?
- Para segurar os preços internos da farinha e da ração e arrecadar quando os preços mundiais estão altos. A taxa variável sobe com os preços mundiais e, assim, limita quanto de uma alta chega aos produtores russos.