Mercados pecuários: custo da ração, ciclos do rebanho e por que a carne se move de outro jeito
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Os preços da pecuária parecem ter uma lógica própria - bovinos, suínos e aves são animais vivos, e não um produto armazenado como o trigo ou o milho. Na prática, porém, os mercados de grãos e os mercados pecuários estão fortemente ligados, e os diferentes relógios biológicos de bovinos, suínos e aves criam algumas das dinâmicas de preço mais características da agricultura.
Custo da ração: o maior e mais volátil insumo
Para a maior parte da pecuária, a ração - milho, farelo de soja e outros grãos - é o maior custo de produção, muitas vezes mais da metade do custo total para aves e suínos criados em confinamento. Essa ligação faz com que os preços da pecuária tendam a acompanhar os preços dos grãos com atraso: quando o milho e o farelo de soja encarecem, as margens dos produtores são apertadas imediatamente, mas a resposta da oferta - menos animais alojados, rebanhos reduzidos - só aparece nos preços da carne meses depois. Por isso uma safra ruim de milho não move só o preço do milho; ela acaba chegando, com atraso, ao preço do frango, da carne suína e da carne bovina.
O ciclo do gado: um ritmo de vários anos que nenhum outro mercado pecuário tem
O gado é biologicamente lento. Uma novilha precisa de cerca de dois anos para atingir a idade reprodutiva, depois fica prenhe por cerca de nove meses, e o bezerro resultante precisa de mais um a dois anos para atingir o peso de abate. Esse longo intervalo faz com que o rebanho não possa crescer ou encolher rapidamente em resposta ao preço - um pecuarista que decide hoje aumentar o rebanho só verá mais gado chegar ao mercado em dois a três anos. O resultado é o "ciclo pecuário", um padrão de alta e baixa no tamanho do rebanho e nos preços da carne bovina que historicamente dura cerca de oito a doze anos de pico a pico, bem mais do que qualquer ciclo agrícola movido pelo clima.
Confinamentos: a última etapa antes do abate
Em boa parte da América do Norte, o gado passa os últimos meses em um confinamento, comendo uma dieta rica em grãos para ganhar peso rápido antes do abate - e é exatamente por isso que a engorda de gado é tão sensível ao preço do milho em particular. Esse modelo de terminação a grãos não é universal, porém, e o padrão real é mais específico do que "grãos em alguns lugares, pasto em outros". Argentina e Uruguai têm uma longa tradição de terminar o gado a pasto. A Austrália costuma ser vista como puramente a pasto, mas na verdade mantém um setor paralelo significativo de gado terminado a grãos para mercados premium e de exportação, ao lado do seu rebanho maior a pasto - os dois sistemas coexistem, sem que um simplesmente substitua o outro. O ponto prático é que a exposição do setor de carne bovina de um país ao preço do milho depende da sua combinação real de sistemas de terminação, e não do continente em que ele está.
Por que aves e suínos reagem mais rápido que os bovinos
Os frangos atingem o peso de abate em cerca de seis a sete semanas; os suínos, em cerca de cinco a seis meses. Os dois são muito mais rápidos que o ciclo de vários anos do gado, o que significa que os produtores de aves e suínos podem ajustar quantos animais criam dentro de um único ano após um sinal de preço ou de custo da ração, enquanto os pecuaristas estão presos a decisões tomadas anos antes. Esse é um dos principais motivos pelos quais os preços do frango e da carne suína tendem a ser menos persistentemente cíclicos que os da carne bovina - o lado da oferta simplesmente se corrige muito mais rápido.